"Incentivar a leitura é a forma mais eficaz de disseminar cultura e valores, incitar a imaginação e despertar a criatividade."
Elaine Sekimura

Os Sertões, por Euclides da Cunha

 Obra publicada em 1902 por Euclides da Cunha, Os Sertões é um misto de literatura com relato histórico e jornalístico.

Os Sertões, por Euclides da Cunha
Livro: Os Sertões
Autor(a): Euclides da Cunha
Versão: Atualizada
Categoria: Literatura Brasileira
Formato: PDF - Páginas: 119
Publicado: 17/03/2014
Lançamento: São Paulo - 1901
Idioma: Português
Licença: Gratuita
Download: Edição Digital
A principal obra de Euclides da Cunha, foi Os Sertões, apresenta características de texto literário porque expõe, em suas descrições, a sinceridade da alma simples e leal do sertanejo, disposto a seguir um líder e a morrer defendendo seus ideais, de ordem jornalística, pois documenta em detalhes os confrontos entre revoltosos e tropas oficiais.
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Investigação socioantropológica, uma vez que se preocupa em descrever o sertanejo e explica a gênese de Antônio Conselheiro como líder messiânico, e de viés científico, porque analisa as características físicas do sertão nordestino. A Obra está dividida em três partes:"A terra", "O homem" e "A luta". Na primeira parte" - "A terra" -, o autor descreve, detalhadamente, a geografia da Região Nordeste, dando ênfase aos locais de confronto entre as tropas do governo. Na segunda parte - "O homem" -, Euclides analisa as características físicas e psicológicas do nordestino, detendo-se na figura de Antonio Conselheiro. A terceira parte - "A luta" é a narrativa propriamente dita dos conflitos. O livro finaliza a derrota dos jagunços e a morte de Antônio Conselheiro.  O sertanejo é, antes de tudo, um forte. Não tem o raquitismo exaustivo dos mestiços neurastênicos do litoral.
A sua aparência, entretanto, ao primeiro lance de vista, revela o contrário. Falta-lhe a plástica impecável, o desempeno, a estrutura corretíssima das organizações atléticas.  É desgracioso, desengonçado, torto. Hércules-Quasímodo, reflete no aspecto a fealdade típica dos fracos. O andar sem firmeza, sem aprumo, quase gingante e sinuoso, aparenta a translação de membros desarticulados. Agrava-o a postura normalmente abatida, num manifestar de displicência que lhe dá um caráter de humildade deprimente. [...]
Entretanto, toda esta aparência de cansaço ilude.  
Nada é mais surpreendedor do que vê-la desaparecer de improviso. [...] Basta o aparecimento de qualquer incidente exigindo-lhe o desencadear das energias adormecidas. O homem transfigura-se. Empertiga-se, [...] e da figura vulgar do tabaréu canhestro reponta, inesperadamente, o aspecto dominador de um titã acobreado e potente, num desdobramento surpreendente de força e agilidade extraordinárias.
A linguagem de Euclides da Cunha pode ser caracterizada como um Barroco científico. O autor utiliza, ao longo de seu texto, uma série de imagens paradoxais para representar o homem, o sertão e o Exército. Observe que, no trecho anterior, o sertanejo é apresentado como um Hércules-Quasímodo, condensando simultaneamente características de força, beleza e heroísmo, próprias da figura mitológica de Hércules. mas também revela-se frágil, deformado vitimizado, à semelhança do famoso personagem de Vitor Hugo. A linguagem também é científica porque o autor busca em seu romance alcançar descrições precisas não apenas dos personagens, mas, sobretudo, do solo e da vegetação. O fato de Euclides ser jornalista fez com que a objetividade lhe fosse imprescindível e contribuísse para o tom científico de sua escrita.
A primeira vitória numa guerra é o controle dos próprios sentimentos.
Apesar de não haver vitórias numa luta, somente perdas para ambos os lados, o Homem insiste em perpetuá-la, refazendo-a. E Euclides da Cunha perpetua-se na literatura brasileira com "Os Sertões"
Com um olhar de geólogo, botânico, engenheiro, militar, naturalista, jornalista, cidadão, homem, ele cria um dos melhores livros brasileiros de todos os tempos. Com uma divisão bem definida ele discorre sobre A Terra, delineando excelentemente o ambiente, o clima, a topologia dos sertões; expondo o ser humano ao analisar O Homem, com críticas sociais, políticas, descrevendo o sertanejo, o jagunço, o cangaço, refletindo sobre a desigualdade e todos os fatores que resultaram no ápice da obra, o clímax, a divisão do livro que ocupa mais de dois terços do total, A Luta.
E Euclides nos apresenta tudo. Os desafios, os problemas, as situações desesperadoras, as atrocidades, a ida, o plano, o recuo, a fuga, a tentativa, a nova tentativa; sempre com um olhar crítico e profundo. Com dados verídicos, nomes de comandantes, generais de expedições, datas, quantidade de homens, de munições, de mantimentos, estado dos militares e dos rebeldes e do tempo em todos os momentos. Euclides da Cunha ataca. No fim, apenas revela. A Realidade. Dos 20 mil combatentes da Guerra de Canudos, nenhum sobreviveu para contar história. Euclides conta no lugar deles, honrando-os. Canudos foi totalmente exterminada. Todos morreram. O Governo venceu. O Povo comemora. A República vive.
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  • ISBN: 0-226-12444-4
  • Editora: Domínio Público
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